Andei muito tempo por aí
Perdido
Procurando várias formas diferentes de viver e sobreviver
Andei muito tempo por aí
Assistindo
A vida que se passava diante dos meus olhos
Os momentos que se eram compartilhados
A vida que se fazia presente
A magia e a loucura
O desconhecido e o incompreendido
Tudo que sempre esteve bem diante dos meus olhos
E que, de alguma maneira
Nunca foi percebida
As surpresas são geradas de maneiras diferentes
Estivemos sempre pertos um do outro
Sempre reconfortamo-nos
Na verdade nunca soubemos o que fazer ao certo
Mas mesmo sem saber, fizemos
Nada do que se possa perceber vai ser assim
Nada do que se possa saber é assim
Nem tudo se sai da exata maneira como a gente imagina
Ou quer
E nada do que se possa fazer vai surgir o efeito desejado
Mas é
Conseguir seguir em frente sem pensar no que se foi
Conseguir fugir sem sentir saudades é inútil
E nada do que se é dito é exatamente o que se pensa
Nada mais pode ser
Além do que se é
Vamos conseguir viver sem olhar pros lados
Será que se pode ser assim
Ou mesmo que se olhe
Será que se enxerga
Ou se apalpa
Ou se afasta
Ou se inibe
Ou se transforma
Calar ou falar ou gritar ou sorrir
Ou passar despercebido
Simplesmente flutuar pelas vias do saber e do viver
Simplesmente se negar
Se desvencilhar de qualquer forma do viver
Com a sabedoria desnecessária
Ou a ignorância necessária a toda uma vida
Como uma morte silenciosa
E a agonia que nos emudece
Como o partir
A caminho ou um coração
Como tudo feito
E a marca deixada
Como cada palavra
Que foi deixada pra trás
No decorrer do discurso
sábado, 24 de janeiro de 2009
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